Quando Paulo discorre sobre como a salvação se processa na vida dos indivíduos, ele sempre diz que se dá por intermédio da fé (Rm 9.30-31 cp. Rm 10.11-17). Ele deixa claro que os ramos naturais, que foram cortados por sua incredulidade, podem voltar a ser enxertados se vierem a crer, e os que, atualmente, creem podem vir a ser cortados se derem lugar a incredulidade (Rm 11.20-24). O que reforça a tese de que não existem indivíduos definitivamente eleitos para salvação, a não ser da perspectiva da presciência divina (Rm 8.29). A eleição individual está condicionada a fé em Cristo. Embora, Deus conheça os indivíduos que farão definitivamente parte do povo escolhido, estes tais, também denominados de escolhidos, ou predestinados segundo a presciência de Deus, não são assim denominados devido a uma eleição incondicional, mas porque acolheram com fé o Evangelho.
A expressão: “Deus nos escolheu em Cristo” (Ef 1.3a) diz respeito a eleição corporativa da Igreja em Cristo. A Igreja foi escolhida em Cristo antes mesmo da fundação do mundo. A Igreja estava inclusa na escolha de Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). A promessa foi feita a Abraão e ao seu descendente que é Cristo, O Eleito por excelência, do qual toda a eleição é derivada e dependente. Os da fé é que são verdadeiramente filhos de Abraão. Cristo é o Messias de Israel, os que são de Cristo pertencem ao verdadeiro Israel.
Portanto, a eleição de indivíduos para a salvação está condicionada a sua associação e permanência no Corpo Eleito de Cristo que é a Igreja. Deus conhece os que irão crer e perseverar em sua fé. Neste pré-conhecimento é que se baseia a predestinação individual. Em Romanos 9, é dito que Deus endurece os homens, mas nunca que Ele os predestinou deste a eternidade para a dureza de coração, e nem também que tal endurecimento é total e definitivo, pois Paulo disse: “veio o endurecimento em parte a Israel, até que…” (Rm 11.25); É dito também que Deus tem o direito de fazer vasos de ira, mas jamais que Ele predestinou pessoas para serem vasos de ira, pois, como já dissemos anteriormente, por vasos de ira, Paulo se refere aos judeus incrédulos, que, segundo ele mesmo afirmou, podem vir a se converter em vasos de honra, abandonando a incredulidade e abraçando a fé (Rm 11.23).
Para Paulo, a fé é que ocupa o papel determinante na salvação ou perdição dos indivíduos: “Bem! Pela sua incredulidade, foram quebrados; tu, porém, mediante a fé, estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará. Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado. Eles também, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; pois Deus é poderoso para os enxertar de novo” (Rm 11.20-23).
O destino da Igreja é certo, pois sabemos que “as portas do inferno não prevalecerão contra a ela” (Mt 16.18), e seu futuro glorioso também já foi contemplado na visão Apocalíptica de João (Ap 7.9-17; 14.1-5), e Paulo diz que ela será apresentada diante de Cristo, “como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável” (Ef 5.27); mas o destino dos indivíduos não está definido, pois aos membros da Igreja, Paulo exorta: “Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo, mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação, desde que continuem alicerçados e firmes na fé, sem se afastarem da esperança do evangelho, que vocês ouviram e que tem sido proclamado a todos os que estão debaixo do céu. Esse é o evangelho do qual eu, Paulo, me tornei ministro” (Cl 1.22-23). Enquanto é garantido que a Igreja será apresentada santa e inculpável diante de Deus, os membros precisam continuar alicerçados e firmes, sem se afastarem da esperança do evangelho, para poderem garantir sua participação no destino glorioso da Igreja.