Os irmãos João e Carlos Wesley, pastores anglicanos, embora muito bem intencionados, fracassaram em sua viagem missionária aos Estados Unidos que durou apenas 18 meses. Frustrado e deprimido, João Wesley exclamou: "fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?".
Durante uma grande tempestade na travessia do Oceano Atlântico, João ficou profundamente impressionado com a confiança e tranquilidade demonstradas por um grupo morávio de cristãos pietistas que alegremente cantavam e louvavam ao nome do Jesus diante da perspectiva da morte. Tal atitude contrastava com os sentimentos de medo da morte e do juízo final. Tais experiências são o início de uma crise que o levará a uma grande descoberta!
O problema é que eles não conheciam a graça de Deus. Quando Carlos Wesley ficou doente a ponto de quase morrer, foi interrogado sobre aquilo em que depositava confiança para a vida eterna. Sua resposta foi: Tenho empregado meus melhores esforços para servir a Deus." Como o amigo que fizera a pergunta parecesse não ficar completamente satisfeito com a resposta, pensou Carlos: "Pois quê? Não são meus esforços razão suficiente para a esperança? Despojar-me-ia de meus esforços? Nada mais tenho em que confiar." (Vida do Rev. Carlos Wesley, de João Whitehead, p. 102).
Embora vivessem uma vida de rigorosa renúncia em busca da santidade que lhes garantisse o favor divino, por esta via, João e Carlos jamais alcançaram a paz e a alegria oriundas da certeza da salvação.
Foi somente no dia 24 de maio de 1738, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um antigo comentário escrito pelo reformador Martinho Lutero sobre a Carta aos Romanos, que Wesley sentiu seu coração aquecer-se de modo sublime, por haver compreendido perfeitamente a essência do Evangelho de Cristo, renunciando toda confiança em suas próprias obras e passando a confiar inteiramente no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Após esta maravilhosa experiência, Wesley continuou se esforçando para agradar a Deus em tudo, porém não como um meio de se alcançar a salvação, mas como produto da fé e como resultado da graça; não como raiz, mas como fruto da graça santificadora. Nossos frutos são frutos do Espírito que opera graciosamente em nossos corações!
Esta chama acesa no coração de Wesley não foi fogo de palha! Tal experiência produziu uma verdadeira revolução e mudou sua perspectiva do Evangelho e da missão da Igreja. Wesley tornou-se um pregador fervoroso e incansável da justificação pela fé na cruz de Cristo e do poder do Espírito Santo para transformação e santificação de indivíduos e comunidades inteiras. Nos 50 anos que se seguiram, ele pregou em média de três sermões por dia; a maior parte deles ao ar livre. Milhares se converteram e passaram a trilhar o caminho da santidade. Um avivamento se deu de modo a afetar positivamente toda a sociedade, produzindo a abolição dos escravos, reformas educacionais, reformas no sistema prisional, reformas nas questões trabalhistas, de modo que historiadores chegam a atribuir ao movimento metodista o mérito da Inglaterra não ter padecido os horrores de uma revolução sangrenta como a que aconteceu na França.
O metodismo também foi um movimento missionário. Missionários foram enviados para diversos países. João e Carlos haviam fracassado feio em sua pioneira ação missionária nos Estados Unidos. Mas, depois da experiência do Coração Aquecido, o metodismo conquista o coração do povo americano. Em 1776 os metodistas representavam 2,5% da população religiosa nos Estados Unidos. Em 1850 os metodistas já representavam 34,2%! Em outras palavras, enquanto em 1776, 1 em 40 americanos eram metodistas, já, em 1859, eram 1 em cada 3! E nenhuma outra denominação chegava ao menos perto do número de metodistas naquela ocasião. Em segundo lugar vinham os batistas com 20,5%. (The Churching of America, 1776-2005: Winners and Losers in Our Religious Economy, Revised and Expanded Edition; Autores: Roger Finke e Rodney Stark).
A grande família metodista possui hoje cerca de 80 milhões de membros e está presente em 140 países. Nos últimos 10 anos, igrejas de linha de santidade se tornaram cada vez mais conscientes do seu patrimônio único e de seu potencial para ministrar com relevância as necessidades desta sociedade pós-moderna. Com ênfase na graça de Deus, transformação, e vida íntegra e autêntica diante de Deus e de outras pessoas, a mensagem de santidade é cada vez mais atraente para uma ampla gama de pessoas de todas as tradições religiosas. Sentem necessidade de rearticular a mensagem de santidade de modo a fazer jus ao seu legado histórico, a medida que também buscam evitar as armadilhas de dois extremos: legalismo, de um lado, e evangélicos genéricos sem transformação de vida, de outro. Portanto, estão se unindo no propósito de reformar a nação, particularmente a Igreja, a fim de espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra.
A mensagem que o mundo mais precisa hoje em dia é exatamente esta mensagem de santidade enfatizada por João Wesley. As igrejas precisam de uma mensagem autêntica e clara que substituirá o “santo graal” de métodos como o foco de sua missão. Nossa mensagem é nossa missão!
Além do mais temos sido inundados por líderes que se tornaram prisioneiros de uma mentalidade de sucesso numérico e influência programática. Eles se tornaram tão preocupados sobre “como” administrar a igreja que negligenciaram o aspecto mais importante que tem a ver com “o que” a igreja declara. Nós inundamos o “mercado” com esforços metodológicos para fazer a igreja crescer. Neste processo, nossos líderes perderam a capacidade de liderar. Eles não conseguem liderar porque não tem nenhuma mensagem autêntica para transmitir, nem uma visão autêntica de Deus, nem uma compreensão transformadora da alteridade de Deus (Deus: o totalmente Outro). Eles sabem disto e desejam encontrar o poder centralizador de uma mensagem que faça a diferença. Mais que nunca desejam banhar-se em uma profunda compreensão do chamado de Deus pela santidade - vida transformada. Estão cansados de confiarem em métodos. Querem uma missão. Querem uma mensagem!
As pessoas hoje estão buscando um futuro sem terem uma memória espiritual. Eles suplicam aos cristãos por uma palavra generosa e integrante que faça sentido e faça a diferença. Temos a obrigação de deixar claro que Deus é relevante para a vida das pessoas. Nós temos de nos livrar de nossa obsessão por uma linguagem verborrágica, de expectativas embaraçosas e de nossos padrões intransigentes. Qual é o âmago, o centro, a essência do chamado de Deus? Eis aí nossa mensagem, eis aí nossa missão!
Aqui no Brasil, líderes de várias denominações de origem wesleyana se uniram para formar a Fraternidade Wesleyana de Santidade, que se reúne mensalmente com o intuito de orar e trabalhar em favor de um reavivamento que reforme a igreja e transforme a nação brasileira.
Fraternidade Wesleyana de Santidade
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
O Avivamento Metodista
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
A Palavra e o Avivamento - A Igreja Precisa de Uma Nova Reforma!
A Palavra e o Avivamento
“A Palavra de Deus é viva e eficaz!”(Hb 4.12).
A Palavra de Deus cria a vida. Tudo o que existe foi criado por meio da Palavra de Deus. Antes de cada etapa da criação temos a expressão “Disse Deus” (Gn 1). “Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca” (Sl 33.6).
A Palavra de Deus renova a vida. A vida surge da Palavra e também é renovada a partir da mesma Palavra de Deus. “Vivifica-me Segundo a tua Palavra!” (Sl 119.25). Os avivamentos genuínos são produtos de um retorno às Escrituras Sagradas.
A Palavra comunica o Espírito Santo. O Espírito Santo é o Espírito da Palavra de Deus: “recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3.2). “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”(Ef 1.13).
A Palavra é a Espada do Espírito: “Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”(Ef 6.17)
A Palavra produz plenitude do Espírito. Para o Apóstolo Paulo, plenitude do Espírito é sinônimo de plenitude da Palavra. Em textos paralelos, ele substitui a expressão “Enchei-vos do Espírito”(Ef 5.18) pela que diz: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente” (Co 3.16). Reparar que o restante do contexto permanece basicamente o mesmo em ambos os textos.
A palavra de Deus transmite fé. A fé também vem pela Palavra. “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). “A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos” (Rm 10.8).
A Palavra de Deus salva: “recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas”(Tg 1.21). “E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15). “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Rm 1.16). O diabo sabe do poder salvador da Palavra, de modo que vive procurando tirá-la do coração humano: “E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo” (Lc 8.12).
A Palavra de Deus regenera: ”ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas”(Tg 1.18); e “ sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pe 1.23).
A Palavra de Deus santifica: “vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado”(Jo 15.3); e “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,”(Ef 5.26).
A Palavra de Deus é libertadora: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).
A Palavra de Deus produz avivamentos: Os avivamentos registrados na Bíblia se deram a partir da Palavra de Deus:
A fé de Elias foi avivada pelo cumprimento em seus dias (1 Rs 16.34) de uma Palavra Bíblica registrada em Josué 6.26. É meditando nas Escrituras que ele encontra discernimento e coragem para se apresentar diante do Rei Acabe para dizer: “tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos” (1 Rs 17.1). A confiança de Elias está pautada nas Escrituras de Deuteronômio 11.16-17. Elias orou com instância para que não chovesse (Tg 5.17), pois, de acordo com a profecia de Moises, a idolatria promovida por Acabe não poderia ficar impune (Dt 11.16-17). A oração de Elia foi a do tipo “Faze Senhor como prometeste!”(2 Sm 7.25). Vemos, portanto, que o segredo da imensa fé e do ministério profético de Elias residem em sua confiança na Palavra de Deus.
Nos dias do Rei Josias houve um grande avivamento espiritual cujo estopim foi o achado das Escrituras Sagradas (2 Cr 34.14). E o avivamento nos dias de Esdras e Neemias se deu ao redor da Palavra que era lida e explicada todas as manhãs, produzindo arrependimento e despertamento espiritual (Ne 8 – 9).
A Reforma Protestante também aconteceu através de uma redescoberta da verdade do Evangelho. Foi através da leitura das Escrituras que o Padre Lutero teve os seus olhos abertos para o fato da Salvação se ministrada gratuitamente através da fé, o que contrariava a prática católica de cobrar para conceder o perdão dos pecados. Lutero traduziu as Escrituras para a língua do seu povo. A Palavra de Deus produziu uma grande revolução mundial!
O grande avivamento wesleyano que impactou a Inglaterra e pôs fim a escravidão teve seu início com Wesley que estava escutando uma exposição de um trecho de Romanos quando sentiu o seu coração estranhamente aquecido! Wesley disse: “Eu sou homem de um livro só”!
A Igreja brasileira precisa de uma urgente reforma, pois a Igreja tem se desviado da Palavra. Se é verdade que a Palavra vivifica, é certo também que o distanciamento dela provoca morte e destruição. “O meu povo está morrendo por falta de conhecimento” (Os 4.6). A Igreja tem sido contaminada pela teologia da prosperidade, pelo neopentecostalismo, pelo emocionalismo, por práticas bizarras, por fogo estranho no altar de Deus, pelo comércio da fé, pela vaidade humana, pelo estrelismo e culto a personalidade, pelos incontáveis escândalos de toda espécie, pelo relativismo moral, por um cristianismo meramente nominal, por conversões espúrias, sem transformação de vida, por um crescimento sem qualidade, sem santificação, por mania de grandeza, por ambições políticas, por amor ao sucesso, por uma mentalidade materialista, secularista e pragmática, que dá lugar a uma busca desenfreada por métodos, onde os fins justificam os meios, onde a ação do Espírito é deixada de lado em favor de métodos humanos. Sim, a Igreja precisa de uma urgente reforma por estar cada vez mais divorciada da Palavra de Deus.
Precisamos de um genuíno avivamento à moda antiga que se dê através de um retorno à Palavra de Deus e que produza frutos da semente desta bendita Palavra (Mc 4.20), os frutos do Espírito (Gl 5.22 e Ef 5.9) e os “frutos dignos do arrependimento” (Mt 3.8).
“Vivifica-me Segundo a tua Palavra!” (Sl 119.25)
Bispo Ildo Mello
Fraternidade Wesleyana de Santidade
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A Palavra e o Avivamento - A Igreja Precisa de uma Nova Reforma
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